Breathing (2008)
organismo híbrido
Conceito
Breathing é uma obra com base numa criatura híbrida feita da comunicação entre um organismo vivo e um sistema artificial. A criatura responde ao seu ambiente através de movimentos, luzes e ruídos. O ato de respirar é a melhor maneira de interagir com a criatura.
Este trabalho é o resultado de uma investigação sobre plantas como agentes sensíveis na criação de arte. A intenção desta obra é explorar novas formas de experiência artística através do diálogo entre processos naturais e artificiais. Breathing é um pré-requisito à vida e é o caminho que interliga o observador à criatura.
Breathing é um trabalho de arte movido por um impulso biológico. Sua beleza não é revelada na planta ou na estrutura robótica. Essa emerge no exato momento em que o observador e criatura trocam suas energia através do sistema. É durante esse momento lúdico, no qual nos encontramos num estranho diálogo com a criatura, que a metáfora da vida é criada.
Breathing é a celebração deste momento
Criatura, funcionamento e fundamentos
“Breathing” trata-se de uma sistema híbrido desenvolvido como resultado de pesquisa de doutoramento na University of Plymouth, UK. Na base deste sistema encontra-se uma planta Jibóia (Epipremnum pinnatum) cujos sinais eletrofisiológico são monitorados por um dispositivo analógico-digital de maneira a controlar uma interface robótica composta de estrutura mecânica, fibra ótica e leds (ver fig.1 e 2). O dispositivo é composto por um medidor de resistência galvânica (Galvanic Skin Response), adaptado de forma a medir variações de resistência elétrica na superfície de folhas vegetais, associado a um microcontrolador do tipo “arduino”.

fig.1. Esquema técnico

fig.2 – Híbrido.
O fato de plantas responderem a estímulos através de variações em sua estrutura eletrofisiológica é conhecido desde o pioneiro trabalho do cientista indiano Sir Jagadis Chandra Bose (1858-1937). Bose foi um dos primeiros cientistas a utilizar galvanômetros em plantas identificando assim a natureza elétrica de certas respostas a estímulos externos (temperatura, luz, injúrias, etc.), sugerindo ainda a existência de algum mecanismo similar ao sistema nervoso animal em plantas. Estas reações de natureza elétrica em plantas foram confirmadas experimentalmente por grupos científicos contemporâneos (Wildon et AL 1992, 360, 62–65).
Na década de 60, utilizando um medidor de respostas galvânica (conhecido popularmente como detector de mentiras ou polígrafo), Cleve Backster executou uma serie de experimentos com plantas para investigar o que ele veio a denominar “percepção primária” (“primary perception”). Através desta investigação Backster chegou a sua hipótese de que plantas, assim como todos organismos vivos, seriam capazes de desenvolver entre si súbitas formas de intercomunicação. No caso de seus experimentos com plantas, tais ligações sutis foram registradas quando as mesmas encontravam-se conectadas ao polígrafo (também conhecido como detetor de mentiras). Backster demonstrou que plantas teriam a capacidade de responder, não apenas aos estímulos físicos do meio ambiente, mas também a níveis afetivo e extra sensoriais que ele veio a chamar de percepção primária (“primary perception”).
Inspirado por estas possibilidades o projeto “Breathing” foi concebido de forma a amplificar súbitas ligações dialógicas entre observador e obra. Para isso a obra conta como coração um elemento ativo (uma planta), um organismo vivo capaz de responder autonomamente as interações do observador.
A planta, dessa maneira, atua como um sensor orgânico natural que, ao ser afetada pelas interações do público e as demais mudanças no ambiente da instalação, apresenta um comportamento expandido pela interface tecnológica hibridizada a ela.
O projeto “Breathing”, documentado no DVD que acompanha a presente proposta, apresentou como resultado o interessante modo de interação entre observador e criatura baseado no ato de respirar, daí o titulo do projeto “Breathing”.
Comportamento
Quando se interage com Breathing, respirando em sua proximidade ou tocando a planta, as variações elétricas monitoradas na folha da mesma são analisadas pelo microcontrolador (arduino) de forma a gerar certos comportamentos. Estes são: movimento de pernas mecânicas, piscar de luzes, mudança de cor e emissão sonora.
Sistema
Breathing tem em sua base, além da planta, um microcontrolador arduino, que se trata de uma plataforma aberta para criação de sistemas de automação e interatividade. Um arduino é acoplado a um circuito eletrônico responsável pelo monitoramento das variações galvânicas apresentadas nas folhas (ver fig.3) do vegetal.

fig.3 Esquema eletrônico – GSR
A alma deste circuito é uma wheatstone bridge. Esta configuração eletrônica trata-se de uma ponte de resistores (A, B, C, D) em equilíbrio sendo que um dos resistores é substituído pelas folhas de uma planta (X). Quando a resistência à passagem elétrica desta planta varia, a ponte se desequilibra e gera uma milivoltagem que é amplificada e aplicada na entrada analógica do arduino. Posteriormente este sinal é processado para atuar nos demais estágios de controle.
Necessidades técnicas
Para a instalação do projeto é necessário um espaço escuro de aproximadamente 9 m2 onde Breathing será posicionado no centro desse espaço. O módulo deverá ser pendurado no teto, até atingir uma altura de cerca de 50cm do chão (ver fig.4). O sistema funciona com uma alimentação constante de 9 volts que deverá chegar ao mesmo também pelo teto. A planta deve ser regada com água uma vez ao dia. Como se trata de um organismo vivo a reação da planta varia de ambiente para ambiente e estado da planta. Ajustes no circuito podem se fazer necessários durante o tempo de exibição, dependendo da extensão do mesmo.

fig.4 Montagem
WILDON, D. C., THAIN, J. F., MINCHIN, P. E. H., GUBB, I. R., REILLY, A. J., SKIPPER, Y. D., DOHERTY, H. M. & BOWLES, P. J. O. D. D. J. (1992) Electrical signalling and systemic proteinase inhibitor induction in the wounded plant. Nature, vol.360, pp. 62-65.
Imagens










